Foi uma mulher que me habituei a ver ao canto da rua vestida de preto.
Agora de um preto mais negro. Antes, nunca muito colorida.
Hoje, chegada a casa, avisto-a ao canto da rua...Onde me habituei a vê-la desde que ficou "mais só".
Do canto veio mais perto e abraçou-me, chamando-me de filha, como sempre, e, dizendo "Tenho ali uma tablete para ti, guardada.".
Júlia, de roupas escuras desde que ficou "mais só". Entre as muitas outras preocupações que consigo trazia, que consigo guarda, hoje atormentava-a "o que é que o povo vai pensar quando me vir com esta blusa preta com estas letras? Sou algum letreiro? Vou para a rua e pensam "Vende-se"!"
Gargalhadas, muitas, sempre me proporcionou e hoje, ao ouvi-la e às suas preocupações, tantas vezes fruto desta solidão a que o Alentejo às vezes nos relega e que, aos de fora se torna difícil compreender, inevitavelmente gargalhei...para depois sorrir. Para depois conter a comoção, pelas lágrimas que sempre me habituei a vê-la deixar cair...
Júlia, hoje mais só. Também me lembro que sempre me lembro de que nunca teve os filhos perto. Não porque não quiseram. Não porque como a Júlia não sofram com a distância. Mas porque também eles parte daqueles que "lá fora" procuraram uma vida melhor.
Júlia sofre. Sinto que sempre sofreu...com a dor da distância. MAS Júlia é mestre de fazer soltar gargalhadas sonoras em todos os que a rodeiam. Júlia não é uma mulher amarga. Júlia parte e reparte e obriga-me a comer que seja um bolinho de mel, de cada vez que regresso a casa e a visito.
Do auge dos seus 80 e tal anos, Júlia não perde uma manhã. Não perde uma migalha que ouse perturbar a limpeza da sua sempre brilhante e tão cuidada casinha alentejana.
Júlia é o exemplo de uma cabeça erguida a cada nascer do sol. De um coração apertado, mas um coração gigante! Uma inspiração!
Agradecer-lhe, como sempre agradeço tudo o que dela recebo. Admirá-la hoje e sempre. Na memória, a sua "voz de gato", como sempre a descrevi cá em casa.
Sou 8 ou 80...Maioritariamente 80! Desconheço os meios-termos. Conheço o nada, o pouco, o muito. Conheço o mínimo e o máximo. Conheço-me, conheço-te! Mas quero e posso conhecer mais. Da vida espero sentir. Na vida quero sentir. Quero e posso! Da vida quero a força de viver. Na vida quero uma roda que me enlace e assim fazer dela... Abraços. Muitos e sentidos. Sentir assim...Apenas e só desta forma, que mesmo na ausência se faz presente.
sexta-feira, 8 de junho de 2012
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Olheiras
São neste momento 01h54.
Amanhã é dia de mais um regressar efémero a casa. À minha frente, letras, números com uma bolinha no "canto" superior direito....chamam-lhe artigos...Dizem que do 1º ao 12º, deve dizer-se primeiro, segundo, terceito, etc e tal. A partir do 12º já podemos dizer TREZE.
Amanhã é dia de regressar a casa, já disse? Há pouco falava...Há pouco...já foi há algumas horas. Enfim, enquanto falava com aquela que me carregou no ventre durante 9 meses dizia-lhe que sentia Lisboa como a minha segunda casa, ou uma casa também. Que nunca pensei vir a gostar tanto de aqui viver. De querer ficar.
Motivos para ir, terei sempre. Mas muitos para ficar...crescem à medida que os anos aumentam.
São neste momento 01h59...Passaram 5 minutos e os olhos continuam a pedir-me para descansar, até porque amanhã é dia de regressar a casa, já disse?
Já disse também que aquela que me carregou no ventre durante 9 meses não gosta de me ver com olheiras?
Nada, nada! Chego a casa com olheiras e oiço "Dores, estás mais magra!"
Sim, normalmente as olherias acompanham todo...Eu devia estar a estudar...Mas e as olheiras?
Amanhã quando chegar a casa vão-me ralhar por ter olheiras.
Ontem...Ontem fui ver o mar, já disse? Gosto de ter perto o mar e de poder respirá-lo e tê-lo a uma distância de 15 minutos...Esta coisa dos números está a tornar-se demasiado presente. Ao menos estes não têm uma bolinha no canto superior direito.
Não sei se devo postar. Já está! São 02h05
Amanhã é dia de mais um regressar efémero a casa. À minha frente, letras, números com uma bolinha no "canto" superior direito....chamam-lhe artigos...Dizem que do 1º ao 12º, deve dizer-se primeiro, segundo, terceito, etc e tal. A partir do 12º já podemos dizer TREZE.
Amanhã é dia de regressar a casa, já disse? Há pouco falava...Há pouco...já foi há algumas horas. Enfim, enquanto falava com aquela que me carregou no ventre durante 9 meses dizia-lhe que sentia Lisboa como a minha segunda casa, ou uma casa também. Que nunca pensei vir a gostar tanto de aqui viver. De querer ficar.
Motivos para ir, terei sempre. Mas muitos para ficar...crescem à medida que os anos aumentam.
São neste momento 01h59...Passaram 5 minutos e os olhos continuam a pedir-me para descansar, até porque amanhã é dia de regressar a casa, já disse?
Já disse também que aquela que me carregou no ventre durante 9 meses não gosta de me ver com olheiras?
Nada, nada! Chego a casa com olheiras e oiço "Dores, estás mais magra!"
Sim, normalmente as olherias acompanham todo...Eu devia estar a estudar...Mas e as olheiras?
Amanhã quando chegar a casa vão-me ralhar por ter olheiras.
Ontem...Ontem fui ver o mar, já disse? Gosto de ter perto o mar e de poder respirá-lo e tê-lo a uma distância de 15 minutos...Esta coisa dos números está a tornar-se demasiado presente. Ao menos estes não têm uma bolinha no canto superior direito.
Não sei se devo postar. Já está! São 02h05
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