segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Falta-me a dor profunda ou a alegria desmesurada

Falta-me aquele ímpeto que não me larga as mãos. falta-me aquele aperto no coração.
falta-me a vontade sem vontade de tudo e nada. falta-me aquele desejo incontrolado de vomitar as palavras, como quem vê erros de um português desrespeitado.
falta-me a dor profunda. tão a fundo que não sai. que não salta nas palavras que não as escritas.
falta-me a alegria que contagia e alucina. a adrenalina que não me deixa adormecer, que me pede para escrever. falta-me...faltas-me tu, tu e tu! o meu mais, o meu menos, o meu todo...que nem é meu.
que é meu? o que é meu? nem tu...nem eu!
falta-me a agressividade disfarçada. falta-me a fúria desenfreada. faltam-me as horas...o sono...insónia...
falta-me querer mesmo não querendo. falta-me encontrar, sem procurar, procurando....e-ter-na-men-te!

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Tédio

tédio este de um cansaço de nada fazer. não de não querer...mas também não de um querer disparatado. exagerado. extremo...que de resto, é o meu. habitual.
não sei querer pouco. não sei nada pouco. aquele 8 de que falei no primeiro post...é uma metáfora para o tempo em que cá não estava. aí, apenas queria vir cá para fora. ou nem isso, já que só os ferros me trouxeram. 80...sou 80 e assumo!
depois, o 8...voltará a existir quando na existência não puder encontrar-me mais.
tédio. antes de aqui vir, fui interrompida...ou quase..."se calhar vou interromper-te a inspiração". nada. inspiração, aspiração a nada. não agora....agora, que este tédio sucumba. desejo esse. único. agora.
demasiados pontos finais? nem tantos. poucos...quase nenhuns. desejo de mais? dever! não querer...logo, travessões, vários começos, recomeços...esperança. tédio. hoje, gigante e disparatado. exagerado.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Júlia

Foi uma mulher que me habituei a ver ao canto da rua vestida de preto.
Agora de um preto mais negro. Antes, nunca muito colorida.
Hoje, chegada a casa, avisto-a ao canto da rua...Onde me habituei a vê-la desde que ficou "mais só".
Do canto veio mais perto e abraçou-me, chamando-me de filha, como sempre, e, dizendo "Tenho ali uma tablete para ti, guardada.".

Júlia, de roupas escuras desde que ficou "mais só". Entre as muitas outras preocupações que consigo trazia, que consigo guarda, hoje atormentava-a "o que é que o povo vai pensar quando me vir com esta blusa preta com estas letras? Sou algum letreiro? Vou para a  rua e pensam "Vende-se"!"

Gargalhadas, muitas, sempre me proporcionou e hoje, ao ouvi-la e às suas preocupações, tantas vezes fruto desta solidão a que o Alentejo às vezes nos relega e que, aos de fora se torna difícil compreender, inevitavelmente gargalhei...para depois sorrir. Para depois conter a comoção, pelas lágrimas que sempre me habituei a vê-la deixar cair...

Júlia, hoje mais só. Também me lembro que sempre me lembro de que nunca teve os filhos perto. Não porque não quiseram. Não porque como a Júlia não sofram com a distância. Mas porque também eles parte daqueles que "lá fora" procuraram uma vida melhor.

Júlia sofre. Sinto que sempre sofreu...com a dor da distância. MAS Júlia é mestre de fazer soltar gargalhadas sonoras em todos os que a rodeiam. Júlia não é uma mulher amarga. Júlia parte e reparte e obriga-me a comer que seja um bolinho de mel, de cada vez que regresso a casa e a visito.

Do auge dos seus 80 e tal anos, Júlia não perde uma manhã. Não perde uma migalha que ouse perturbar a limpeza da sua sempre brilhante e tão cuidada casinha alentejana.

Júlia é o exemplo de uma cabeça erguida a cada nascer do sol. De um coração apertado, mas um coração gigante! Uma inspiração!

Agradecer-lhe, como sempre agradeço tudo o que dela recebo. Admirá-la hoje e sempre. Na memória, a sua "voz de gato", como sempre a descrevi cá em casa.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Olheiras

São neste momento 01h54.
Amanhã é dia de mais um regressar efémero a casa. À minha frente, letras, números com uma bolinha no "canto" superior direito....chamam-lhe artigos...Dizem que do 1º ao 12º, deve dizer-se primeiro, segundo, terceito, etc e tal. A partir do 12º já podemos dizer TREZE.
Amanhã é dia de regressar a casa, já disse? Há pouco falava...Há pouco...já foi há algumas horas. Enfim, enquanto falava com aquela que me carregou no ventre durante 9 meses dizia-lhe que sentia Lisboa como a minha segunda casa, ou uma casa também. Que nunca pensei vir a gostar tanto de aqui viver. De querer ficar.
Motivos para ir, terei sempre. Mas muitos para ficar...crescem à medida que os anos aumentam.
São neste momento 01h59...Passaram 5 minutos e os olhos continuam a pedir-me para descansar, até porque amanhã é dia de regressar a casa, já disse?
Já disse também que aquela que me carregou no ventre durante 9 meses não gosta de me ver com olheiras?
Nada, nada! Chego a casa com olheiras e oiço "Dores, estás mais magra!"
Sim, normalmente as olherias acompanham todo...Eu devia estar a estudar...Mas e as olheiras?
Amanhã quando chegar a casa vão-me ralhar por ter olheiras.
Ontem...Ontem fui ver o mar, já disse? Gosto de ter perto o mar e de poder respirá-lo e tê-lo a uma distância de 15 minutos...Esta coisa dos números está a tornar-se demasiado presente. Ao menos estes não têm uma bolinha no canto superior direito.
Não sei se devo postar. Já está! São 02h05

sábado, 26 de maio de 2012

Quando na tua dor me confortas.

Porque há momentos em que sentimos ter uma importância extrema para alguém.
Ontem voltei a senti-lo.
Mais uma vez, numa daquelas janelinhas 'gmailícas', no silêncio de uma noite não tardia, as palavras fizeram-se sentir e caminhar na minha direcção, como que vindas de um diálogo directo e presente.
Não posso deixar de registar e valorizar. Não posso deixar de manifestar como palavras espontâneas, de um sentir que já teve tantos precalços, mas que se reforça a cada dia,  se transformaram na certeza de que: em mim podes ser tudo. Em mim podes ser tu mesma.
Comove-me pensar na grandeza de pequenos gestos que são os teus. Na, por vezes, inconsciência daquela grandeza, e por isso mesmo, de uma dimensão cada vez maior, pela genuinidade que lhe/te reconheço.
Não sei o que o amanhã nos trará. Não sei...Sei apenas que te agradeço por cada afago, que chegas a julgar "desajeitado" mas, que é o teu.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Babuínos


"Babuíno (do francês babouin) é a designação genérica para antropóides cercopitecídeos do género Papio e afins, caracterizados pelo focinho pontudo, caninos grandes, bochechas volumosas e calosidades nas nádegas."

Ora, há dias, em conversa com a minha querida amiga Teresa, os Babuínos vieram à baila. Bailando? Não...Surgiu, como um entre os muitos assuntos que debatemos diariamente, naquela janelinha do chat gmail, sem a qual já não passamos.

O Babuíno é, portanto, e para mim, um animal pouco ou nada fofinho. Bem, são gostos. A verdade, é que não cheguei a perceber se ela gostava ou não de Babuínos.

Eu digo-vos já que não gosto. Após um estudo de alguns meses sobre a espécie, concluí que não gosto deles. Não sei. Não sei se são as bochechas volumosas ou os calos nas nádegas que me intimidam...A verdade é que não me inspiram confiança. E a confiança existe, ou não existe (lá está, nada de meios- termos cá para os meus lados). Às vezes quase que uma vida para conquistá-la...Um segundo, para perdê-la.

Acredito, porém, que, como em toda espécie humana e animal, haja uma ou outra ovelhinha branca no meio das negras.

Babuínos, falamos de Babuínos. Para já fica este apontamento acerca dos nossos parentes de rabo vermelho e cara feia...Sobre a restante família dos pongídeos, falaremos mais tarde. "Quem viver verá..."!!!! Para já Teresa, seguidores, tenhamos cuidado com os Babuínos das nossas vidas. 


quinta-feira, 24 de maio de 2012

Regresso

Houve um tempo, em que conversar, desabafar, partilhar, sobretudo, problemas era quase como que um tabu.
Refúgio na escrita...Refúgio nas noites de Verão, quando todos já dormiam. Refúgio no sofá da minha sala, na casa do Alentejo...A música como companhia e folhas em branco. Estas com sede de tinta. Ou lápis...tanto se me dava como se me dava.
Depois...mudar de cidade, de casa, amigos, pessoas, espaços...O tabu foi-se e a necessidade de escrever também.
Na passada segunda-feira pediram-me para escrever letras de músicas. Disse "Eh pah! Mas eu não escrevo!".
A verdade é que no dia seguinte, sentada...não no sofá da minha casa do Alentejo, mas na minha cadeira de Lisboa...Escrevi...E senti que queria escrever mais e mais. Não porque os tabus voltaram. Não porque aquele tempo voltou. Apenas por "sentir assim", que escrever é e continua a ser parte de mim.
Assim começa "Só sei sentir assim"... ;)